terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Quando os sonhos se transformam em pesadelos

Tô com preguiça de blogar. E mais ainda de reviver os momentos chatos que vivi no Egito. Mas vou contar para vocês o que passei por lá.
Ir ao Egito sempre foi meu maior sonho. Sempre fui daquelas crianças fascinadas por coisas malucas: dinossauros, universo, Egito e civilizações misteriosas e sou assim até hoje. Por isso, desde criança alimentei o sonho de viajar para o Egito e ver de perto o que aquela maravilhosa civilização foi capaz de construir com pouca tecnologia (como a conhecemos).
Quando vim para a Europa, trouxe comigo a "má intenção" de ir lá, já que sabia que seria muito mais fácil e mais barato ir daqui. Assim, há mais ou menos dois meses, eu e o Nil começamos a pesquisar o preço das passagens e os pacotes que as agências de turismo ofereciam. Fiquei muito animada quando vimos os preços e ainda mais quando descobri que aqui existe uma coisa chamada "last minute", ou seja, se você comprar a passagem ou o pacote de última hora, consegue um preço ótimo. E foi assim que fizemos, por um preço que eu nunca imaginava pagar.
Estava tudo correndo perfeitamente.  Conseguimos um pacote para uma data boa, o hotel era cinco estrelas e era na praia ainda. Além de realizar meu sonho de ver as pirâmides e todas as outras maravilhas da história egípcia eu poderia também ir à praia e fugir do frio daqui.
Foi emocionante quando pousamos. Ver o aeroporto coberto de areia me fez lembrar, pela primeira vez, que eu estava indo para o deserto.

Chegamos ao hotel e as coisas começaram a complicar. Apesar de o hotel ser 5 estrelas e ter uma piscina, recepção e tudo mais maravilhosos, nos colocaram no pior quarto do hotel. O corredor cheirava xixi e do lado da nossa porta ficava o local onde eles colocavam as "coisas" (roupas de cama e toalhas sujas).
Na manhã seguinte fomos conferir os preços dos passeios. No pacote que compramos, diziam que teríamos um guia que falava alemão e inglês. Conversa para boi dormir. Além do "guia" não falar inglês direito, ele fazia parte de uma agência de viagens e só estava lá para nos vender os pacotes. E sem dar descontos!!
Mesmo assim, tudo bem. Escolhemos um passeio de camelo e uma viagem de dois dias para o Cairo. Queríamos muito fazer outros passeios, mas o dinheiro e o tempo não permitiam.
Depois fomos à rua procurar um banco, já que o Nil não tinha conseguido tirar dinheiro em Viena. E fomos atacados pelos muitos donos das lojas ao redor do hotel. A cada passo que dávamos, vários lojistas nos paravam, perguntavam de onde éramos e nos faziam entrar nas lojas deles. Não tinha escapatória. Eles mentiam, dizendo que só queriam que assinássemos o livro deles, porque nenhum brasileiro tinha assinado antes, mas era tudo lorota para nos fazer entrar na loja e comprarmos (uma vez que você entrava na loja, era quase impossível sair sem levar nada. Eles não deixavam!). Foi assim que, depois da terceira loja, praticamente saímos correndo para procurar o banco e ignorávamos qualquer "oi" que eles davam. Aprendemos que eles não são simpáticos atoa. Tem sempre uma má intenção por trás, que é arrancar dinheiro do turista! Neste dia, entendi, finalmente, porque os turcos (geralmente povos árabes) tem má fama quando se fala em dinheiro. E cheguei à conclusão de que a má fama que recebem é pequena diante da realidade!
No dia seguinte, resolvemos ir à praia e com muito esforço (porque estava frio, já que lá é inverno agora) e demos um mergulho no mar vermelho. Fizemos isso mais para falar que nadamos no mar vermelho do que por vontade de nadar, propriamente dita. Mas até que foi bom nadar nas águas calmas do mar vermelho e depois deitar ao sol. Já estava cansada de mendigar os poucos raios do sol que aparecem, de vez em quando, neste inverno europeu.

Terça-feira foi dia de andar de camelo. A van nos pegou em frente ao hotel e viajamos por 20 a 30 minutos, entrando cada vez mais no deserto. Encontramos com o cara que nos levaria no camelo e fizemos um agradavel passeio sob o vento forte do deserto.
Quando voltamos, conversamos bastante com os guias e descobri que um deles tem o mesmo sobrenome que eu: Nassur. Fiquei tão orgulhosa por encontrar  meus "parentes perdidos"! Parece que os guias simpatizaram muito conosco, principalmente pelo fato de sermos brasileiros. Não paravam de falar em futebol e insistiam em dizer que o futebol brasileiro era o melhor do mundo, mesmo quando explicávamos que já não existem jogadores como antigamente. Como eles disseram, "Brasil será sempre Brasil!".
Depois eles nos levaram a um lugar cheio de animais presos em aquários. Tinha várias cobras, crocodilo e muitas outras coisas. Os caras que tomam conta do local colocaram as cobras no nosso pescoço e nos deram os bichinhos para tirar foto. Foi muito legal este dia e voltamos muito sorridentes para o hotel.





Na quarta-feira partimos cedo para o Cairo. A viagem foi tranquila. Tínhamos um guia só para nós dois, pois o outro guia só falava alemão, e resolvemos pagar por isso. O guia foi ótimo durante toda a viagem, nos explicando muito sobre a cultura egípcia e tudo mais. À noite nós jantamos num lugar legal e depois fomos fazer um passeio de barco sobre as águas do rio Nilo. Por fim, nos levaram para o hotel. Neste ponto, inicialmente, ficamos decepcionados, pois quando pararam no hotel e todos desceram, nos disseram que aquele não era o nosso hotel. Não sei porque, mas parece que os falantes de alemão tinham alguma preferência. Mesmo assim, não tenho do que reclamar do hotel no Cairo. Parecia mais um flat do que um quarto de hotel, pois tinha cozinha, dois banheiros com banheira, sala e um quarto muito bom, tudo muito melhor do que o hotel em Hurghada.
Na manhã seguinte partimos para as pirâmides. E foi com um pouco de desapontamente que descobri que elas ficam na cidade do Cairo. Pensei que ficassem mais afastadas da cidade. E além de fila, também é necessário pagar paga entrar. E você tem que pagar ainda mais se quiser ver as pirâmides por dentro.
Entramos e vimos as pirâmides. Lindas e menores do que eu imaginava.


O guia nos deu um tempo livre para caminharmos e conhecermos o lugar. Neste momento dois caras em dois camelos se aproximaram e começaram a conversar conosco. Disseram que o Nil parecia 100% egípcio e insistiram para nos levarem num passeio de camelo. Dissemos que não várias vezes, pois não tínhamos dinheiro e tudo mais. O cara insistiu. Fez cara de indignado quando falamos em dinheiro e disse que era de graça, que era funcionário do governo. E lá foram os dois ingênuos brasileiros andar de camelo nas pirâmides. Eles nos deixaram em frente à pirâmide de Miquerinos, a menor delas, pois iríamos entrar e olhar como ela era por dentro. Quando saímos, eles estavam nos esperando e eu e o Nil resolvemos perguntar quanto era novamente, já que já havíamos percebido que o povo lá não fazia nada de graça. Então o cara jogou um preço super alto e dissemos que não tinhamos dinheiro. E dissemos que ele havia nos dito que não iria cobrar. Neste momento, o cara se transformou. Começou a gritar conosco e a partir para cima da gente, dizendo: "Eu disse isso? EU?" E começou a cobrar pelo dinheiro. Quase arrancou a carteira do Nil e achei que fosse nos bater ou fazer coisa pior quando mostramos a ele que só tínhamos Coroas, a moeda tcheca. Ele queria saber de todo jeito quanto valia em Euros e, quando percebeu que não tínhamos mesmo mais dinheiro, pegou as coroas tchecas muito nervoso e partiu. Eu quis chorar na hora, quis desabar. Foi horrível. Este momento estragou todos os outros. Embora eu tenha explorado um pouco mais as pirâmides e visitado outros lugares, a lembrança mais forte que tenho do Egito é do medo que senti naquela hora.
Depois nos encontramos com o guia novamente, fomos à Esfinge e depois ao Museu Egípcio. Tudo muito legal, mas confesso que partiu o coração ver que tiraram do lugar todas as riquezas da história.
Neste mesmo dia voltamos a Hurghada e decidimos não sair mais. Estávamos traumatizados demais com o povo explorador do local.
Quando estávamos no aeroporto, um dos caras que trabalhavam lá ainda ameaçou não passar as nossas malas caso o Nil não desse gorjeta. Tudo muito absurdo!
Ah, e isto tudo sem contar que eu e o Nil fomos acometidos de uma diarréia que durou quase todos os dias. E eu ainda tive muita dor de cabeça, de garganta e o meu nariz insistia em não me deixar respirar direito. Mas sobrevivemos no final das contas, graças a Deus!
Mas se eu puder fazer uma avaliação sincera do Egito, eu diria, com tristeza, que sinto que o país se prostituiu. Foi com tristeza que constatei que as propagandas e os outdoors pela estrada vinham sempre em inglês e/ou em alemão, quase nunca em árabe, a língua oficial do país. Foi com tristeza e admiração que notei a presença de dezenas de crianças menores de 8 anos na esfinge, falando todas as línguas que você possa imaginar (do português ao chinês e japonês), todas buscando um meio de arrancar do turista algum dinheiro. E foi com tristeza que vi no museu tantas peças expostas. Quero dizer, é importante que elas estejam no museu para preservação, mas eu senti que, ao retirarem do lugar onde estavam, fizeram do museu egípcio somente mais um lugar e mais uma forma de ganharem dinheiro. A história em si parece não ter nenhuma importância para a maioria dos egípcios, além de uma boa fonte de renda.
Mas também preciso reconhecer que, se me decepcionei, foi porque criei expectativa demais. A verdade é que, mesmo pesquisando na internet a respeito da cultura egípcia, pequei por não saber absolutamente nada a respeito e por esperar que tudo se adequasse ao modo como eu acreditaria ser perfeito.
E, no final das contas, deu tudo certo. Aprendi muito, amadureci muito e apaguei meu fogo no rabo de ir para lá! E agora só me resta lutar para que os próximos sonhos se realizem. Depois do Itamaraty, meu próximo sonho louco é ir para o espaço! Loucura, não? Mas não diga que é impossível, porque do jeito que as coisas andam, esse é só mais um dos objetivos que vou conquistar!
Um forte abraço a todos e perdão pelo texto grande. Juro que deixei de contar várias coisas para não deixar o texto ainda mais cansativo!

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

O fim de ano

É, pessoal...O ano está acabando e chega a hora de fazer uma reflexão e avaliação de tudo o que foi vivido. mas antes quero falar um pouquinho do final do ano aqui.
Não trabalhei muito estes dias, o que foi bom, já que o Nil veio aqui para casa. Dava uma tristeza danada ter que sair pro trabalho no começo da tarde e só voltar tarde da noite sabendo que o tinha deixado sozinho aqui em casa. Mas tudo bem. São ossos do ofício.
O Natal passamos juntos e foi regado a oração e muito carinho. Comida também, é claro. Até hoje a mesa está cheia! Mas a verdade sobre o Natal aqui é que eu o comemorei várias vezes e em vários dias. As comemorações nos flats começaram na segunda-feira passada, dia 20 de dezembro e foram até quarta-feira. Foram momentos muito bons para que eu pudesse me integrar ainda mais com o pessoal do trabalho. Na quarta-feira anterior já tinha comemorado o Natal no grupo de orações em que os moradores dos flats onde trabalho frequentam. E já ganhei presentes. Entre eles, um coco. Sim, um coco, desses que compramos em supermercado aí no Brasil. O presente mais inusitado de toda minha vida! Mas foi bom matar a saudade do gostinho do coco. E isso só aconteceu graças ao Nil, que com muita perseverança conseguiu abri-lo com instrumentos nada próprios para o serviço.





Na quinta-feira, dia 23, foi o dia de comemorar com as meninas que moram comigo, Teresa e Eva, já que elas iriam para casa na madrugada do dia 24. (O Nil também estava neste dia. Aliás, foi neste dia que ele partiu o coco e permitiu às alemãs provarem, pela primeira vez, a água de coco e comerem a fruta naturalmente).



E dia 24 à noite comemoramos só eu e o Nil. Foi muito bom!






                                                   Árvore de Natal proporcional ao tamanho




A única coisa ruim do Natal aqui é que, depois de a semana anterior ter sido de frio e muita neve, na semana do Natal, pelo contrário, as temperaturas subiram muito e toda a neve foi derretida. E justamente quando deveria cair, não cai!
E para completar as festanças de fim de ano, já estou esperando ansiosa pelo Ano Novo em Praga! Tomara que dê tudo certo e seja tudo muito lindo e que, ao contrário do que a palavra expressa, 2011 não seja literalmente uma praga!
Vamos à avaliação do ano...
Posso dizer, sem dúvida nenhuma, que este foi o ano mais emocionante de toda minha vida. Este ano minha vida deu um giro de 360o e tudo mudou de rumo.
No início do ano, presa em Ubatuba por causa do grande congestionamento causado pelos deslizamentos de terra que mataram tantas pessoas e destruíram a casa e a vida de tantas outras, nem imaginava terminar o ano na Europa, fazendo o que gosto e vivenciando tantas experiências engrandecedoras. Por outro lado, também não posso negar que foi com isto que sonhei e pedi para o novo ano: viajar para outros países, conhecer pessoas novas, aprender e me tornar alguém melhor. Valeu a pena ter pulado as sete ondinhas na praia! Realmente deram sorte!
2010. Eita ano que me surpreendeu, que mexeu com meu coração mais do que eu poderia esperar e me provou que ele é mais forte do que eu imaginava. Esse coração aguentou trancos e explosões de felicidade, surpresas e espantos. E o melhor de tudo é estar aqui agora, com aquele sentimento que nada nem ninguém pode tirar de mim: "você venceu, superou todos os desafios!!". E que venha 2011. Outro ano que promete! Já no início de janeiro realizarei o meu maior sonho, o mais ousado de todos que já ousei sonhar. Mas quero deixá-los curiosos e só conto quando estiver lá ou um pouco antes de ir. E, em 2011, se Deus quiser terminarei minha graduação e encontrarei um bom emprego. E depois a vida de gente grande começa: trabalhar e estudar muito para passar no Itamaraty. E se os anos seguintes forem tão bons quanto este, com certeza este será outro sonho que se realizará. Que a força de vontade para lutar pelos meus sonhos e objetivos nunca falte!
Um forte abraço a todos! E que 2011 seja um ano de muitas conquistas para todos vocês!

sábado, 11 de dezembro de 2010

As manotas que a gente dá

Pois é, estou com vergonha de contar, mas não serei egoísta e darei a vocês, queridos leitores e amigos, um motivo para rirem hoje (espero que não seja o único e que esqueçam rapidamente!).
Acontece que, no final de semana passado, atrasada para ir comer uma torta na casa de outros voluntários, tomei um banho e lavei o cabelo rapidamente, me arrumei e saí com o Nil, a passos largos, para a casa do pessoal. No meio do caminho me dei conta de que meu cabelo tinha, simples e puramente, congelado! Me esqueci de usar o precioso dom do raciocínio e, motivada pela pressa, esqueci a lógica: a água congela a 0 graus!! Não sei dizer ao certo o que pensei na hora, mas foi um misto de desespero (porque se eu dobrasse o meu cabelo ele quebrava e caía), de inconformação (por eu ter esquecido a coisa mais óbvia do mundo) e de graça (porque a situação era tão absurda que eu não podia fazer outra coisa a não ser rir de mim mesma!).
E preciso confessar que, apesar de confiar muito no Nil, fiquei rezando quando ele foi colocar o meu cabelo para dentro do meu casaco, para ver se descongelava e ainda ficava inteiro. E ficou, graças a Deus. Foi como renascer de novo! Até este momento, não sabia que era tão apegada ao meu cabelo!!
Mas o episódio não termina aí: cheguei à casa dos nossos amigos quase desmaiando, porque o frio nas contas me deixou até tonta!
Conclusão: Talita, pelo amor de Deus, não saia com o cabelo molhado quando a temperatura for 0 ou negativa! (desculpem, mas eu preciso repetir isto a mim mesma antes que cometa o mesmo erro novamente!)
E o fato de eu ser brasileira e não estar acostumada com este frio e com as temperaturas negativas não é justificativa, só ameniza um pouco os fatos! Mas eu juro que, para não desanimar os atuais e futuros professores de química, não ignorarei mais as propriedades físicas da matéria (assim espero!).


Mudando de assunto, também quero contar que, na quarta-feira passada fiz, pela primeira vez na vida, pão de queijo!


Tudo bem, isto não é motivo de tanto orgulho assim, mesmo porque, além de ser mineira e de não ter feito pão de queijo até então e de, até aquele momento, não ter noção de como fazer um pão de queijo, o "dito cujo" ainda era mistura em pó pronta, e eu só precisava adicionar alguns ingredientes e misturar tudo. E, mesmo assim, sem a ajuda de um paulista, até hoje eu estaria tentando fazer as maravilhosas bolinhas de queijo darem certo... :-( Vergonha Nacional!
Mas, graças à incrível habilidade de misturar a massa do Mathias (que ele aprendeu vendo o pai), tudo deu certo. E isto depois de eu ter queimado o liquidificador tentando misturar a massa e de ter quebrado uma vasilha de colocar chá das meninas que moram comigo, por causa da imensa bagunça que fizemos na cozinha.
Mas, porém, contudo, todavia, entretanto, não obstante, como dizia a minha querida professora de história Gilda Maria, eu tenho sim um motivo para me orgulhar. Se, durante meus 22 anos nunca tinha feito um pão de queijo sequer, nesta quarta-feira passada, dia 8 de dezembro (tenho que deixar tudo registrado, afinal, depois do que vou contar mamãe vai se orgulhar de novo por me ter como filha), fiz, pelo menos, 300 deliciosos pães de queijo. E dificilmente vivi momentos na vida tão prazeirosos quanto nas horas em que eu tirava os pães de queijo do forno e tinha que experimentar para ver se ficaram bons (o que era dispensável, porque pão de queijo ficar ruim é coisa rara, mesmo quando era eu quem estava na cozinha!). E nem dá pra expressar o quão bom eram os pães de queijo, porque depois de quase três meses sem comer um, pão de queijo tinha se tornado quase uma lenda!
Bom, vou ficando por aqui. Ainda tenho outras manotas e histórias para contar, mas o post já está muito grande!
Até a próxima, pessoal! Abraços!

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

E o frio chegou...

E eis que o inverno chegou de verdade, depois de um atípico e "quente" mês de novembro, em que a temperatura média girava em torno de 8 graus centígrados. Na quarta-feira, depois da reunião do Rotaract, tive o prazer de ver, pela primeira vez, pequenas bolinhas de gelo que caíam do céu. No início pensei que fosse só chuva, mas caíam muito lentamente para ser chuva. Quando parei para reparar, percebi que se tratavam, na verdade, de pequeninos floquinhos de neve. Coisinha mais linda, poesia pura! Foi isto o que pensei e senti quando vi. Mas logo parou e eu fiquei só na expectativa de ver mais, sempre acompanhando a previsão do tempo para os próximos dias. Mas ontem não nevou e eu acabei deixando para lá. E hoje, nesta sexta-feira, dia 26 de novembro de 2010, a neve caiu.

Saindo do trabalho nada notei, mas ao chegar ao ponto de ônibus, reparei que, novamente, pequeninas "coisinhas" brancas caíam vagarosamente do céu. Mas desta vez eram maiores e começaram a cair com mais e mais frequência! O ônibus chegou e no caminho para casa fiquei na torcida para que não parasse. E a torcida funcionou, pois a cada estação em que o ônibus parava já era possível ver os montinhos de gelo que iam se acumulando. Quando chegou a minha vez de descer (a última estação), me deparei com um chão branquinho, todo coberto de neve! E a neve cobrira também toda a grama que tem em volta (e é muita grama!). Tirei a câmera da bolsa e fui representar o meu papel (o de brasileira que vê a neve pela primeira vez e fica toda boba e encantada). Fiquei com vergonha no começo, porque as pessoas começaram a me olhar e fazer cara de "qual é? Qual é a graça nisso tudo?", mas eu, ignorando suas caras indignadas, apenas os respondia mentalmente: "qual é? Eu sou brasileira e nunca vi a neve. Vc acha que mesmo que eu vou deixar passar este dia em branco(literalmente!)? Você só vive o primeiro dia de neve da sua vida uma vez". E assim, com toda sem-vergonhice (não sei escrever esta palavra, nem sei se existe) do mundo, saí tirando fotos e fazendo um vídeo durante todo o caminho da estação à minha casa.

Cheguei em casa, liguei para a minha mãe e para o Nil, tinha que contar a eles (apesar de ter nevado antes onde o Nil mora). Mamãe ficou encantada com a notícia. E eu fiquei encantada quando ela disse que já assinou os papéis e vem me ver, juntamente com a tia Sílvia, em abril!
Bom, estas são as notícias da semana. Mas eu queria também registrar algumas manotas que dei na semana passada, quando estava em Londres. Claro que as manotas foram muitas, mas acho que as principais foram:
- ter ido ao Big Ben e não ter olhado as horas.
- ter dado tchau com as mãos para o Andrea Bocelli, quando ele assinalou um tchau para a platéia.

Ah, e nao deixem de ver o video que fiz da neve aqui!


Abração a todos! Não deixem de acompanhar os posts e, se quiserem, comentarem também. É bom quando vcs fazem comentários, pois são para nós um feedback muito importante.

Beijo beijo!!

domingo, 14 de novembro de 2010

Pelo mundo afora

Pois é, sei que estou em falta com vocês. Tem séculos que não posto no blog, mas é porque a vida está muito corrida aqui.
As últimas três semanas foram marcadas por muitas viagens, encontros e emoções. No fim de semana dos dias 29, 30 e 31 de outubro eu fui para Cadca visitar o Nil e comer Açaí. Sim, açaí. E o mais incrível foi que um dia antes de saber que tinha açaí aqui tinha falado com o Nil no telefone que estava com uma vontade enorme de comer açaí e que iria ser difícil ficar um ano sem. No dia seguinte, ele me ligou e disse: "Tali, vc não vai acreditar, mas tem açaí aqui em Cadca. Um pessoal de Bratislava armou uma barraca na praça e vão ficar até sexta-feira. "Coincidentemente" ou não, na quinta-feira seria feriado aqui na Rep. Tcheca e eu havia pedido para trabalhar na quinta e ter a sexta de folga, pois assim teria um dia a mais para ver o Nil. Dei muita sorte e pude sentir o sabor do açaí depois de um mês e meio sem. Embora o modo de preparar fosse diferente (é mais um suco do que o açaí que nós tomamos no Brasil), foi simplesmente delicioso sentir o sabor do açaí outra vez.
Na segunda-feira, dia 1 de novembro, fui para o treinamento do EVS, em Rozberk, uma "cidade" de 120 habitantes (sim, tem status de cidade!) simplesmente maravilhosa. Lá encontrei voluntários de vários países da Europa e fiz amizade com todos. Éramos 19 no total. Descobri que tem um país chamado Belarus, que ingleses e franceses não se odeiam, que na Turquia usar a burca é opcional (a mulher escolhe), que a parte "francesa"da Bélgica faz piada da parte "holandesa") e muito mais. Foi simplesmente incrível e muito intenso! Ficamos hospedados num castelo e nos divertimos muito com dinâmicas, conversas, jogos, piadas e brincadeiras.

A cidade


                                                meus novos e divertidos amigos

Chegando em Brno, nem saí da estação de trem e fui direto a Bratislava, onde teria uma conferência distrital do Rotaract daqui. O Nil foi me buscar na estação, fomos ao hostel, tomei um banho super rápido e fui. E fui muito fuleira, de calça jeans e com a camisa do Rotaract, enquanto que as outras mulheres vestiam vestidos e casacos maravilhosos. Me senti muito mal, mas como não estava esperando ir à conferência, não coloquei nenhuma roupa melhorzinha na mala para Rozberk. Mas, de qualquer maneira, a conferência foi muito boa e proveitosa. O pessoal explicou tudo em inglês para que eu e o Nil pudessemos entender, mas nem todos os Rotaractianos que lá estavam falavam inglês. Nos sentimos até mal por isso, mas também muito honrados, pois aqui nos valorizam muito!
                                                                governador do Distrito daqui

Voltei para casa no domingo à tarde. Na segunda fui trabalhar muito cansada pela maratona que havia sido as duas últimas semanas. Mas na terça e na quarta tive que acordar cedo para encontrar minha coordenadora e depois para conhecer a vila de uma outra. Na quinta-feira fui dormir à 1 da manha e levantei às 3 e meia, para ir à Bratislava pedir meu visto. Conseguir o visto não foi nada difícil. A mulher da embaixada foi super simpática comigo e até conversou comigo em português! Depois passeei pela cidade com a minha coordenadora e fui para o aeroporto, de onde pegaria o avião para ir a Londres, no show do Andrea Bocelli. Fiquei esperando no aeroporto umas 7 horas, entediada, sem um livro para ler e sem nada para fazer. Foi aí que comecei a me perguntar: "Talita, vc é doida, não é? Vc tem noção de que vc está indo para Londres SOZINHA? Lá é uma cidade grande, não é Itumirim não! Nem em Lavras vc consegue andar sozinha direito, como vai fazer pra andar em Londres, se vc mal entende o ingês deles? Isso é loucura! Toma juízo, menina!
Chegando em Londres, passei a noite no aeroporto porque como cheguei à 1 da manha, fiquei com medo de sair sozinha a esta hora para procurar o hostel aonde iria ficar. Às seis e meia da manha desci para o lugar onde eu pegaria o ônibus. Saía e entrava do lugar esperando o ônibus chegar e nada. Foi quando um senhor gordo, de barba grande e branca se sentou próximo de mim e disse: "o ônibus sai às seis e meia", e apontou ao relógio (que marcava 5:30. Por ignorância, não sabia que o fusorário de Londres é diferente do daqui). Depois o senhor me perguntou para onde eu iria e expliquei. Ele me perguntou se eu havia feito o pedido na internet para o ônibus parar aonde eu precisava parar e eu disse que não. Então ele abriu sua grande e gorda mochila, tirou de lá um mapa de Londres e me deu. Depois, quando eu disse que talevz teria que pegar o metrô, ele abriu a bolsa novamente e me deu um mapa do metro. Eu agradeci, me virei para olhar o mapa e ele desapareceu. Estou convencida de que tive um encontro com Papai Noel. E não é brincadeira, não importa o quão engraçado isso possa parecer. Eu nunca me senti tão tocada na minha vida como naquele momento. Eu estava entrando em desespero por não saber o que fazer por estar sozinha numa cidade gigante, com uma língua que eu não domino muito e sem saber ler um mapa.
Mas graças ao Papai Noel e à grande boa vontade dos Londrinos, não só cheguei ao meu hostel como aprendi a ler mapas, a pegar o metro em Londres e pude conhecer muitos lugares e me divertir bastante.
Londres, para mim, é uma cidade dos sonhos. Depois que conheci, tenho certeza de que quero morar lá. Nunca conheci um povo tão atencioso, simpático e receptivo. Em situações de desespero, quando eu achava que me perdia, sempre aparecia alguém e me perguntava "are you ok?". Sempre que pedi uma informação me responderam com um sorriso receptivo. Me chamaram de "dear", de "sweetheart", de "heart" várias vezes e fizeram com que eu me sentisse muito especial.
O show foi incrível. Além do Andrea Bocelli, também estavam presentes outras cantoras soprano, que cantavam com e sem ele, além da orquestra sinfônica inglesa. Me senti no céu. Me perguntava o tempo todo: "É sério? Eu estou aqui mesmo? Isto tudo é pra mim?"
Meu Deus, não tenho nem como agradecer pelos últimos dias que tive. Só sei que foram perfeitos e não dá para descrevê-los nas poucas palavras que aqui deixo registradas neste blog.


The O2, Londres


O Big Ben
O post está gigantesco, me desculpem, mas é queria contar para vocês tudo o que estou vivendo ultimamente. 
Não percam os próximos posts. Espero que possam ser cheios de coisas boas como foi este.
Um forte abraço a todos!

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Sobre a nação Atleticana

É preciso muita garra para se manter sempre `a frente, mas é preciso ainda mais garra para seguir em frente após uma queda. E essa garra o Atlético Mineiro conhece bem.
Não me envergonho por termos conquistado o título da segunda divisão, motivo de zoação por muitos torcedores de times adversários. Pelo contrário, tenho muito orgulho. Ninguém, nenhum time no mundo é imune às falhas. Errar é da natureza humana e cair também. Esta é uma fatalidade na qual todos estamos fadados a sofrer, pois não há como sempre só vencer ou sempre só perder. Volto a repetir: somos seres humanos, passíveis de erro, o que significa que, algum dia, de alguma forma, mesmo aquele que tem mais cuidado com tudo, cai no erro.
Mas nem todos são capazes de seguir em frente, se reerguerem diante da queda sofrida e lutar novamente por seu lugar ao sol. Só verdadeiros guerreiros são capazes dessa proeza.
Num campeonato nem sempre justo, decidido muitas vezes nas falhas de juízes (humanos sujeitos a erros), muitos foram os times que caíram e não mais se levantaram.
Então eu tenho muito orgulho de o Atlético ter conquistado o título da segunda divisão. Mais do que fraqueza, o Galo mineiro mostrou, acima de tudo, poder de superação. Junto de sua torcida, levantou em 2006 uma taça que, mais do que a conquista de um campeonato, simbolizava o renascimento de uma fenix, a volta por cima e a verdadeira vitória dianta das falhas, depois de um tempo de morte aparente e escuridão.
E o Galo não teria conquistado tudo sem sua torcida que, peço perdão pela pretensão (mas nada me convencerá do contrário), é a mais apaixonada de todo o país.
A torcida Atleticana constitui uma verdadeira nação, composta por habitantes capazes de tudo pela pátria mãe e, acima de tudo, orgulhosos por levarem no sangue e no peito o símbolo que é sempre motivo de inspiração e alegria, mesmo nas horas tristes.
O que o Atleticano tem é um amor incondicional pelo time, amor este que supera os momentos de tristeza e derrotas, e que vibra com muita alegria nas vitórias!
Mas o melhor de ser atleticano é simplesmente ser atleticano. Porque amar incondiconalmente se traduz em uma alegria e orgulho que vão além de qualquer dificuldade, que supera facilmente qualquer tristeza.
E parafraseando nosso grande e querido poeta Vinícius de Moraes, que me perdoem os que apenas torcem para um time, mas amor incondicional é fundamental. E só o Atlético Mineiro pode se gabar de ser constituído, em sua maioria, de torcedores que amam incondicionalmente o time. E é por esse amor que superará sempre todas as dificuldades e seguirá sempre em frente, se reerguendo diante das derrotas e sempre preparado para dar a volta por cima com muita raça e amor!
Talita Lara Carvalho Nassur
PS- peguei a foto de um outro blog, http://lancesnuances.wordpress.com/tag/clube-atletico-mineiro/ . É preciso dar os créditos! Achei a foto perfeita para o texto que escrevi!
PS2 - Não importa quão longe do Galo eu esteja, ele será sempre motivo de inspiração. E não, nada do que estou vivendo aqui me inspiraria a escrever neste blog mais do que o Atlético Mineiro, então no próximo post, talvez, eu comente um pouco mais de como está minha vida aqui.
Abraços a todos!

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Passeios, comida brasileira e mais passeios

Andei com tanta preguiça de escrever no blog ultimamente, apesar de sempre pensar no que vou escrever e como, quando encontro algum assunto para postar aqui. Mas aí sento na frente do pc, coloco ele no meu colo e faço mil e outras coisas, mas nada de postar no blog... Mas hoje pedi licença para a preguiça e dei uma fugidinha para contar para vocês o que tenho feito aqui.
No último final de semana aproveitei para passear bastante. Aliás, comecei a passear já na sexta-feira, no trabalho. Dois dos assistentes, juntamente com os clientes de onde trabalho, me levaram a um parque do outro lado da cidade, de onde podíamos ver a cidade toda. Foi muito legal, exceto pela hora em que um dos clientes, da minha idade mais ou menos, andou tão rápido na nossa frente que achamos que o tínhamos perdido. Mas depois de correr bastante consegui alcançá-lo e trazê-lo de volta.
No sábado fui com as meninas numa cidade chamada Zdarn Sazovou, um lugar muito bonito e interessante. Lá visitamos uma igreja, que era circundada por cinco capelas menores, formando uma estrela e também um castelo. Mas o que eu achei mais lindo foi o lago que havia entre a igreja e o castelo. Poderia ficar olhando para ele por horas e horas!

Não pudemos ficar muito tempo nesta cidade porque neste dia os avós da Eva, moça que mora comigo, estavam comemorando bodas e ela teria que voltar mais cedo para fazer uma videoconferência com eles. Então quando voltamos, ainda tive tempo de ir numa galeria e comprar mais uma "bunda" para mim, desta vez branca. E depois ainda encontrei com meus novos amigos brasileiros e fomos ao shopping procurar pão de queijo. Não tinha....Mas também compramos leite condensado e material para a janta daquela noite, que reuniu brasileiros, um boliviano, um australiano, um portugues e um russo em volta de deliciosas panelas contendo nada menos do que arroz, feijão e panquecas. De sobremesa? BRIGADEIRO!! Coisa mais boa!!

No domingo fui ao castelo Spilberk, que fica no centro da cidade e pude me deleitar com a vista espetacular que ele oferece. E, por fim, fomos a um lago muito bonito que fica perto da minha casa (de tram) e caminhamos muito, muito e muito até chegarmos em casa novamente!

Bom, este foi o resumo de um fim de semana perfeito! Espero que os que vem pela frente também possam ser recheados de belas paisagens e boa companhia!