sexta-feira, 22 de abril de 2011

Um tour pela Europa com duas madames

Eu sei que fiquei muito tempo sem postar,  mas é que eu estava fazendo a viagem mais incrível da minha vida! No dia 31 de março fui à Lisboa, Portugal, encontrar a Érika e a família dela, pessoas extremamente queridas as quais eu não via há muitos anos, mas pelas quais tenho um carinho enorme e considero quase que como parte da minha família. Eles me acolheram na casa deles e lá fiquei por vários dias, esperando mamãe e titia chegarem e até partirmos para Madrid. Ir a Portugal foi como voltar ao Brasil: há muito tempo não via tantos brasileiros e tantas coisas próximas à nossa cultura, incluindo a comida e o jeito. Mas a comida...ah, a comida! Tia Ana, mãe da Érika e da Ellen, minhas queridas amigas, fez tudo o que eu estava sonhando comer há meses: pão de queijo, caldo de feijão, lasanha, strogonoff e muito mais! Acabei engordando por lá! Além da comida e do jeito das pessoas, outra coisa que se asemelhou muito ao Brasil foi o clima: depois de passar frio na noite anterior à ida a Portugal, com a temperatura média de 3 graus, passei muito calor com repentinos 30 graus!!
Portugal é um país muito bonito e me surpreendeu bastante! Gostei muito de lá! Aqui vai algumas fotos do local:
                                                 Torre de Belém

                                                    Érika, mamãe, tia Sílvia e eu!

Bom, ficaria simplesmente super gigante se eu postasse mais fotos e eu ainda quero falar um pouco dos outros países e postar algumas fotos de lá, então pararei por aqui com Portugal. Vou tentar resumir o máximo possível sobre os outros países, só para vocês saberem um pouquinho o que vimos, fizemos e as minhas impressões sobre cada local.

Espanha


                                         No dia 06 de abril cedo partimos para Porto e de lá pegamos o vôo para Madrid. Já no aeroporto de Porto iniciou-se um "drama" que persistiu por quase toda a nossa viagem: o peso da bagagem. Mamãe sempre com pelo menos 5 quilos a mais e nós sempre na correria, no guichê do check in, trocando as coisas de mala para não termos que pagar multa.
Madri é uma cidade mais do que linda, extremamente encantadora e adorável, com seus músicos pelas esquinas tocando músicas clássicas e ambiente acolhedor, o maravilhoso Museu del Prado e suas milhares de obras maravilhosas e construções incríveis da cidade. Não tinha como não nos apaixonarmos pela cidade! O único problema que tivemos por lá foram as escadas do hostel, que nos fizeram ter que correr atrás de um hotel com elevador, já que já havíamos carregado as malas pelo metro de Madri e as puxado pelas muitas e muitas escadas de lá. Mas tirando isso, foi tudo muito perfeito!!
Na noite do dia 07 partimos para Barcelona e viajamos por toda a noite no trem, uma viagem extremamente desconfortável! Mesmo tendo pagado pela primeira classe, tivemos que dividir a cabine com outros dois homens e, se não fosse por um, não teríamos conseguido colocar as bagagens na parte de cima da cabine. A questão é que não havia espaço para nós, para os homens e para as malas e foram muitas horas de viagem praticamente sem dormir e muito desconfortáveis.
Chegando em Barcelona, fizemos um tour pela cidade e visitamos a igreja da "Sagrada Família", uma construção linda, instigante e imponente e visitamos ainda outros prédios desenhados por Gaudi, como a casa de pedra e alguns outros. Linda cidade também! À noite nos encontramos com a Érika, a tia Ana, a Ellen e o André, que também estavam visitando a cidade, e assistimos a um lindo espetáculo das águas e de luzes, próximo a outro prédio de deixar qualquer um babando! Foi tudo incrível lá e mesmo a correria não deixou que perdessemos o entusiasmo!

                                                Tia Sílvia e mamãe em uma das relaxantes praças de Madrid, fazendo nada mais do que comer e relaxar.


                                                   A Sagrada Família - Barcelona


Itália

Partimos para Roma na madrugada do dia 8 e lá chegamos pela manhã. O Nil já estava nos esperando no aeroporto e nos acompanhou até o nosso hostel. Depois de deixarmos as malas no hostel fomos passear pela cidade e fomos primeiramente ao Vaticano. Lá é ainda menor do que eu pensava, mas é bem bonito também. Infelizmente as filas de lá estavam tão grandes que decidimos nem entrar nos monumentos e nos museus.
De lá, pegamos um desses ônibus turísticos que percorrem toda a cidade e assim vimos incontáveis maravilhas. Bastava estar de olhos abertos para ver construções lindas e imponentes. Outra cidade simplesmente maravilhosa! E nós ainda demos sorte porque era a semana da cultura lá (ou algo assim) e não precisamos pagar nada para entrar no Coliseu, mais um dos encantos de Roma!


Eu e o Nil no Coliseu


                                          Jogando uma moeda e fazendo um pedido na Fontana de Trevi


Na manhã do dia seguinte partimos de trem para Nápoles, cidade feinha, suja e cheia de camelôs e pixações pelas ruas. Lá o motorista de taxi nos passou a perna e cobrou 15 Euros para andar menos de 5 minutos! Ah, se eu tivesse um mapa antes e soubesse que o hostel era tão perto! Chegando no hostel, fomos recebidos de braços abertos, com amplos sorrisos nos rostos. Já nos esperavam de fora do prédio. Diferentemente do que pensei, não tinha reservado o quarto de um hostel, mas era um quarto que uma família alugava. Coisa mais linda o quarto, tudo simples, mas muito bem arrumado! Adorei!
Depois de nos acomodarmos fomos dar um passeio no centro de Nápoles, onde vimos construções bonitas e onde comi uma deliciosa pizza de queijo de búfala. A pizza teria sido a melhor que eu já comi na vida, se o queijo não tivesse ficado enburrachado tão rápido e não tivesse perdido o sabor depois disso. Assim, a pizza da Romanesca continua sendo a  melhor de todas!


                           Não foi a melhor do mundo, mas essa é original! E essa pizza era só para mim!


Centro de Nápoles

Mas foi o dia 10 de abril o que me deixou mais contente, de todas as visitas que eu fiz. Fomos a Pompéia, outro dos grandes sonhos que eu tinha e, diferentemente do Egito, desta vez não tive decepções. Pelo contrário, Pompéia é mais linda do que eu poderia ter sonhado e nada vai me fazer esquecer as belezas, o clima e a paz interior que senti por lá! Pensei que fosse ver mais corpos, mas a maioria foi retirada e está nos museus de Nápoles e de Pompéia, os quais não tivemos tempo de visitar, mas só de andar pelas ruínas da cidade e contemplar o esplêndido Vesúvio já fiquei mais do que satisfeita!


                                            Alguns dos mortos pela "fumaça" do Vesúvio. É triste, mas é maravilhoso que tudo tenha se preservado!!


Galo e Pompéia: grandes paixões! Galo em qualquer lugar do mundo!

No mesmo dia voltamos a Nápoles e de lá pegamos um trem para Veneza. Viajamos durante toda a noite, e novamente com a cabine lotada, mas desta vez conseguimos dormir e foi muito mais confortável. Veneza é uma cidade muito linda e romântica, mas tem lugares que fede também. E é de quebrar qualquer clima ver o pessoal jogar água suja nas águas da cidade, bem na hora que você está passeando de gôndola (isso aconteceu com a gente, infelizmente). Foi um passeio muito gostoso e cheio de romantismo e compras! Adorei!


Nil e eu em Veneza!


                                                   Passeando de gôndola pelas "ruas" de Veneza


República Tcheca e Áustria

Novamente passamos a noite viajando, mas desta vez de ônibus, e foi assim que viemos de Veneza aqui para Brno. Eu estava tão cansada que dormi a viagem inteira! Aqui em Brno não tivemos muito tempo, só pude ir com a mamãe, a tia Sílvia e o Nil ao meu trabalho e ao supermercado, infelizmente. Queria ter mostrado a elas como aqui é bonito também. Mas na manhã do dia seguinte partimos para Viena, na Áustria, onde novamente pegamos estes ônibus turísticos (principalmente porque estava chovendo) e fizemos uma rápida visita à cidade, voltando a Brno na mesma tarde.
No dia 15 fomos para Praga. Eu e o Nil deixamos mamãe e a tia Sílvia num taxi e as mandamos para o hotel e fomos para o nosso hostel, onde nos arrumamos rapidamente e partimos para o show do Pink Floyd, pelo qual o Nil tanto esperou (o nosso ingresso já estava comprado desde setembro!). O show até que foi legal, eles homenagearam alguns brasileiros (Jean Charles, por exemplo), mas eu não conseguia ver nada porquena minha frente tinha nada menos que várias pessoas com pelo menos 2 metros de altura (eles tinham muito mais, porque tampavam até o Nil, que tem quase 1,90). Mas tudo bem!
No dia seguinte, pegamos novamente o ônibus turístico e passeamos pela cidade (eu dormi, pra falar a verdade) e depois partimos para a maravilhosa capital francesa, Paris!


Eu e mamãe no tram em Brno - tadinha da mamãe, morreu de frio aqui!


Nil no show do Pink Floyd na Arena O2, em Praga

França
Quando eu era novinha eu tinha o grande sonho de conhecer Paris, mas depois este sonho foi morrendo dentro de mim e comecei a pensar que a Torre Eifell era só um monte de ferro. Mas que bom que resolvi ir lá mesmo assim, porque o que vi lá foram maravilhas a todo momento e, como Roma, só não se via coisas lindas quando se estava com os olhos fechados!
A Torre Eifell é linda mesmo, o Louvre é encantador, os prédios são de tirar o fôlego, a cadetral de Notre Dame é de fazer exclamar "ohhhh", a rua do Moulin Rouge é de se admirar (como pode uma rua inteira se voltar só para a questão do sexo? Aconselho não ir lá com sua mãe, como eu fiz!).....só a Bastilha e o Arco do Triunfo que me deixaram um pouquinho desapontada. Chegando nesses lugares, olhei e pensei: mas é só isso?! Mesmo assim, me apaixonei completamente por Paris!!


Ah, Paris e o amor!


Museu do Louvre

Bom, pessoal, é isso! Desculpem-me por este post enorme, mas eu precisava contar tudo. Resumi o máximo possível! Espero que vocês tenham conseguido viajar um pouquinho com a gente através deste post! Um super abraço e um super beijo a todos vocês! Até a próxima!

sexta-feira, 25 de março de 2011

notícias daqui...

Diferentemente do que prometi no último blog, não usarei este post para falar da língua aqui e das outras coisas engraçadas que se ouve por cá. Acho que terei outra ocasião de fazer isso e, como escrever sobre isso exige inspiração, resolvi deixar para depois. Resolvi escrever hoje só para não deixar o blog abandonado (senti que o abandonei!!).
O que eu tenho feito aqui é estudar, trabalhar e viajar muito. As aulas na faculdade começaram com tudo. Sem dúvidas, a faculdade aqui é muito mais difícil que no Brasil. Fiquei admirada ao perceber que alunos do segundo período de Inglês já falam inglês perfeitamente e acompanham facilmente as aulas de Literatura, lendo textos que até eu achei um pouco puxados (e olha que já estou no 8o período). Mas mesmo com a dificuldade e a loucura que é a faculdade aqui (tenho que ler, em média, 100 páginas em inglês por semana, além de fazer diversos deveres de casa), estou dando conta de tudo. Já tinha percebido que funciono melhor é quando faço muitas coisas, porque isso me coloca para frente e me obriga a fugir da preguiça.
O trabalho continua na mesma...eu gosto muito, muito mesmo, mas tem dia que estressa também. É um trabalho maravilhoso, mas no final do dia geralmente estou esgotada física e mentalmente. Mas vale muito a pena!
E as viagens...depois de fugir dos nazistas na Alemanha, resolvi dar uma conferida na obra deles em Auschwits, o maior campo de concentração de todos, que fica na Polônia. O que vi lá, juntamente com o Nil e os outros voluntários brasileiros que estão aqui, não foi nada bonito. Eu achava que o que os nazistas tinham feito era algo extremamente horrível, mas ao chegar em Auschwits e após fazer uma visita guiada, não tenho palavras para descrever o que foi feito. 11 milhões de judeus é muita coisa! E o pior, para mim, não é o fato de eles terem matado tantas pessoas, e sim o de o terem feito com tamanha crueldade, sem considerar crianças ou idosos, ou quem quer que fosse. Quando passamos por uma sala que tinha, basicamente, coisas e informações sobre crianças, quase desabei ao ver os quadros nas paredes com seus rostos, data de nascimento e o fim que levaram e perceber que, dos que estavam lá, apenas uma tinha sobrevivido. Todos os outros tinham sido mortos poucos dias depois que chegaram ou tinham destino desconhecido.
Ir para lá me fez refletir muito sobre a vida e nossa mesquinhez...me fez perceber quão tolas e pequenas são minhas preocupações e dores e, mais do que tudo, me fez querer lutar ainda mais por um mundo melhor e pelo meu próprio crescimento interior.
Depois da visita a Auschwits fomos a Cracóvia, outra cidade que também sofreu muito com a Segunda Guerra Mundial e com os nazistas. A cidade é linda, além de ter ótimos preços e um povo adorável. Mas o melhor de Cracóvia foi visitar um museu arqueológico, sobre o qual não tenho palavras suficientes para descrever, de tão excelente! E não tivemos que pagar nada para entrar!
Gostei muito da Polônia (algo lá me fez sentir "em casa"), mas preciso confessar que me entristeci muito pelo modo como o país se apresenta. Durante todo o percurso de trem, pude ver muitas e muitas casas destruídas, lixo pelo caminho e com isso um sentimento de abandono tomou conta de mim.  Apesar de adorável, a Polônia é um país que ainda não se recuperou da Guerra (também pudera, foi um dos países, senão O país, que sofreu mais por causa do nazismo) e os vestígios desta tragédia podem ser vistos em todo canto.
Mas o que me assusta nisto tudo, sinceramente, é pensar que a Guerra aconteceu há pouco tempo atrás. Mesmo diante de tanto impacto, sinto que a humanidade ainda não aprendeu e me assusto e me entrisceço profundamente ao ver vários países continuarem a fazer guerras e a causar extermínio indiscrimidado por causa de status e poder. Pelo amor de Deus, chega de tanta guerra, de tanto egoísmo, tanta vaidade! Parem de destruir o meu amado mundo, parem de usurpar a humanidade e o pouco que nos resta  ...Parem de inverter os valores, de nos neocolonizarem...Já chega!!
Segue abaixo algumas fotos da visita a Auschwits e Cracóvia.



                                             sapatos de crianças...



                                                     Cracóvia - eu e meu amor!!

                                                           um pouco mais da bela cidade de Cracóvia!

Bom pessoal, vou ficando por aqui porque o post já está grande demais. Devo postar agora só no final do mês de abril, já que a mamãe e tia Sílvia estão vindo no próximo dia 4 e vamos viajar por Portugal, Espanha, Itália, República Tcheca e França! Estou muito ansiosa e espero poder postar a vocês boas fotos e histórias!
Queria que vocês, queridos amigos, pudessem vir aqui também... Mas os meses estão passando muito rápido e logo estarei de volta (claro que, se voces quiserem vir, já têm um lugar para ficar e ficarei muito feliz por revê-los!!)

Beijos no coração de vocês e um abraço apertado cheio de saudade!
Tali ;-)

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Fugindo dos nazistas

Fevereiro foi cheio de viagens, novidades e aventuras. Foi assim que, logo após fazer a besteira com o cabelo, viajei para Liberec, para o Mid-Term (segundo e último seminário dos voluntários). Não estava muito animada a viajar não, exceto pelo fato de que iria reencontrar os voluntários novamente. E é sempre bom rever os amigos.
Fiquei um pouco desapontada com o lugar que escolheram para o seminário: um eco-centro. Não é que eu não goste de animais, fazenda e estas coisas, mas é que no inverno não tinha muitas coisas para ver, além de cavalos, porcos, cabras e ovelhas. E eu estava esperando algo mais, já que no primeiro seminário  nós ficamos hospedados num castelo. Mesmo assim, foi bom rever o pessoal. E foi uma experiência muito interessante descer 3 km de uma montanha de puro gelo. É claro que eu caí mais do que andei e que fiquei toda dolorida depois, mas esta foi uma daquelas experiências doloridas que, com certeza, eu faria de novo!

                                                    Antes de descer a montanha e já com o bumbum cheio de neve

Outra coisa que tornou o Mid-Term não tão interessante foi o fato de eu estar muito ansiosa com a volta à Alemanha. Um mês antes eu havia combinado com alguns outros voluntários de irmos a Dresden, Alemanha, já que ficava a poucas horas da cidade do Mid-Term. E para lá fomos.



Eu teria ficado mais assustada ao chegar em Dresden se, duas semanas antes, as meninas que moram comigo não tivessem me avisado que teria uma manifestação dos e contra os nazistas. Mas como não encontrei nada a respeito da net, meio que deixei para lá.
Mas chegando lá na sexta-feira vimos cartazes espalhados por toda a cidade e uma estranha movimentação.



 Mesmo assim, continuamos a fazer turismo pela cidade sem problemas. À noite o pessoal decidiu sair e, como estava muito cansada, resolvi ficar no hostel (maravilhoso, por sinal!). Na manhã seguinte, uma das voluntárias (Stéfanie, da Áustria) me contou que, ao voltarem para casa, foram parados por policiais que disseram que nós tínhamos ido a Dresden no dia errado, que não devíamos ficar saindo por lá, pois era perigoso. E logo depois que ela me contou isto, nada menos que sete helicópteros da polícia apareceram alinhados no céu, além de várias viaturas com a sirene ligada circulando ao redor.




                                              Helicópteros no céu de Dresden                                          

Fui ficando um pouco assustada com aquilo, não sabia que o evento tinha tamanha proporção. E também fui tomada de muita raiva quando soube que a manifestação dos nazistas era permitida pela legislação e a contra o nazismo não era. A desculpa dos alemães a isso é que a Alemanha é uma democracia onde todos têm o direito de se expressar. Quando soube isso quis mandar a Alemanha para a...(ops...vocês sabem, não preciso falar!)
E como a situação estava tensa (polícia por todo lado, manifestantes com faixas, pouquíssimas pessoas além dos manifestantes nas ruas...) resolvemos viajar a uma cidade próxima, Meissen. Mas não poderíamos ir à estação de trem mais próxima, pois ela estava dominada pelos nazistas e, para protegê-los, os policiais nunca nos deixariam passar. Então fomos procurar uma outra estação e, no caminho, encontramos a manifestação anti-nazistas. Adorei!! E aproveitar para gritar muitos "Ehhhhhhhhhhhhh" logo que algum manifestante dizia algo no microfone.



Foi uma manifestação bonita, sem violência e plena de mensagens de paz. Em alguns cartaz pude ler: "Abraços de graça" e "Me beije, não me bata".  E a diversidade de idades, de caras e de estilos era marcante, idosos, crianças, jovens e adultos estavam lá para manifestar sua insatisfação contra o nazismo. E nada menos do que 10 mil pessoas foram lá para lutar pelo que acreditavam, enquanto que apenas mil nazistas tiveram coragem de dar as caras. E eu ainda não entendo como essa manifestação aconteceu e como pode ser permitida por lei (claro que não há nada de errado em querer matar muitas pessoas em todo o mundo, só porque sou estúpido e ignorante o bastante para achar que a minha raça é a certa. Aff!!).


                                        Manifestante contra o nazismo esconde o rosto, mas mostra a mensagem "Me beije, não me machuque".

No fim das contas, deu tudo certo. Bom, mais ou menos. Sofremos para conseguir entrar em alguma estação de trem. Como estávamos em grupo nenhum dos muitos policiais que barravam as entradas nos deixavam passar. Então resolvemos nos dividir em casais e depois de 20 minutos estávamos todos dentro da estação e embarcando para a simpática cidade de Meissen.
E no domingo voltamos para casa. Reencontrar a minha cama foi como um encontro romântico de um desses filmes melosos de amor. Ela nunca me pareceu tão bela, gostosa e aconchegante. Pena que não pude aproveitar muito, porque na segunda passada as aulas na universidade começaram. Mas eu conto sobre isso depois, o post já está enorme!
Beijos a todos vcs! E continuem acompanhando o blog! No próximo post virei com outras questões engraçadas sobre a língua tcheca.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

O dia em que fui levada por um carro de polícia

Já se passaram muitos dias desde a minha última postagem. As coisas não mudaram muito por aqui, mas comecei a ficar um pouco cansada por causa do trabalho, das viagens e das atividades. Mas na sexta-feira passada me aconteceu algo chato: saí com a Eva e com um amigo dela e fomos a um pub. Depois fomos ao Mac Donalds porque estávamos famintas. Eu não tinha dinheiro porque a minha organização não tinha dinheiro para me pagar, mas a Eva iria me emprestar. Quando ela foi pagar a parte dela vi que ela tinha usado tickets alimentação semelhante aos que eu tinha e fiquei super empolgada por poder usá-los no Mac Donalds. Peguei meus tickets, paguei meu pedido, guardei o troco na carteira, a coloquei na bolsa e falei empolgada para a Eva: "Adorei estes tickets! Além de eu poder usá-los aqui, ainda recebo troco!". Então fomos para a mesa e comemos. Passados quinze minutos mais ou menos resolvi checar se tinha alguma ligação no celular e, para minha surpresa, percebi que minha bolsa estava muito vazia. Minha carteira havia desaparecido! Voltei ao caixa, perguntei para vários atendentes, andei pelos locais onde tinha passado e nada. Minha carteira havia mesmo desaparecido! E lá se foram meus tickets de alimentação, cartão de crédito, carteira da faculdade, fotos dos meus pais, pen drive, etc. e o pior: três pequenos tercinhos que ganhei de três pessoas extremamente queridas e sem os quais eu nunca saía.
Graças a Deus o Nil veio para cá no sábado. Juntos fomos procurar algum posto da polícia para tentar fazer um BO e ver se alguém tinha encontrado a minha carteira, mas o posto policial estava fechado. Fomos ao centro de informações aos turistas e nos informaram onde havia outro posto policial. Nos dirigíamos para lá quando, de repente, avistamos dois policiais uniformizados na rua e resolvemos falar com eles. Nos aproximamos e eu arrisquei meu (pobre) tcheco: "Dobre den. Prosim, mluvite anglicky?"(Bom dia.Por favor, o senhor fala inglês?). O jovem policial respondeu que falava um pouco e então eu prossegui com a conversação, explicando que havia perdido minha carteira no dia anterior e gostaria de saber os procedimentos necessários. Ele pediu que aguardássemos, falou no radinho e poucos minutos depois aparece um carro com 5 policiais. 3 deles saíram do banco de trás e nos fizeram gestos para que entrássemos no carro. Fiquei paralisada, pensando: "Isso é mesmo necessário? Tudo isso?" E foi assim que levaram eu e o Nil, do centro de Brno e sob dezenas de olhares curiosos, para a delegacia num carro policial.
Na delegacia foi tudo muito tranquilo. O guarda falava inglês, era paciente e atencioso. Mas queria de todo jeito que eu falasse que a carteira havia sido roubada (o que eu não podia afirmar com certeza, pois pode ser que eu tenha deixado cair no chão quando pensei te-la colocado na carteira). Parece que por aqui os guardas ficam procurando por serviço!!

Além deste fato, a única novidade da semana e do mês é que cortei meu cabelo hoje.Ficou totalmente diferente do que eu havia planejado. Cortei a franja como eu fazia até os 11/12 anos de idade. Minha cara de criança acentuou e de acordo com os amigos estou parecendo personagem de anime. Gostar, eu não gostei, mas é bom mudar de vez em quando. E tomara que esta mudança atraia consigo outras mudanças na minha vida (todas boas, espero). No final das contas, acho que a grande lição é: nem sempre as mudanças ocorrem do jeito que planejamos, mas temos que aprender a conviver com elas do mesmo jeito! Neste caso, é melhor aceitar a situação e seguir em frente...




Bom, pessoal,  me desculpem pela simplicidade das fotos. Acabei de tirá-las (poucos segundos atrás e só para postar no blog), então não estão boas, pois não estou no melhor momento para tirar fotos. Mas quero saber a opinião sincera de vocês sobre o cabelo. Se não gostaram, é importante que me digam para que eu não cometa o mesmo erro da próxima vez!

Um forte abraço a todos, cheio de saudade e recheado de carinho!
Tali

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Quando os sonhos se transformam em pesadelos

Tô com preguiça de blogar. E mais ainda de reviver os momentos chatos que vivi no Egito. Mas vou contar para vocês o que passei por lá.
Ir ao Egito sempre foi meu maior sonho. Sempre fui daquelas crianças fascinadas por coisas malucas: dinossauros, universo, Egito e civilizações misteriosas e sou assim até hoje. Por isso, desde criança alimentei o sonho de viajar para o Egito e ver de perto o que aquela maravilhosa civilização foi capaz de construir com pouca tecnologia (como a conhecemos).
Quando vim para a Europa, trouxe comigo a "má intenção" de ir lá, já que sabia que seria muito mais fácil e mais barato ir daqui. Assim, há mais ou menos dois meses, eu e o Nil começamos a pesquisar o preço das passagens e os pacotes que as agências de turismo ofereciam. Fiquei muito animada quando vimos os preços e ainda mais quando descobri que aqui existe uma coisa chamada "last minute", ou seja, se você comprar a passagem ou o pacote de última hora, consegue um preço ótimo. E foi assim que fizemos, por um preço que eu nunca imaginava pagar.
Estava tudo correndo perfeitamente.  Conseguimos um pacote para uma data boa, o hotel era cinco estrelas e era na praia ainda. Além de realizar meu sonho de ver as pirâmides e todas as outras maravilhas da história egípcia eu poderia também ir à praia e fugir do frio daqui.
Foi emocionante quando pousamos. Ver o aeroporto coberto de areia me fez lembrar, pela primeira vez, que eu estava indo para o deserto.

Chegamos ao hotel e as coisas começaram a complicar. Apesar de o hotel ser 5 estrelas e ter uma piscina, recepção e tudo mais maravilhosos, nos colocaram no pior quarto do hotel. O corredor cheirava xixi e do lado da nossa porta ficava o local onde eles colocavam as "coisas" (roupas de cama e toalhas sujas).
Na manhã seguinte fomos conferir os preços dos passeios. No pacote que compramos, diziam que teríamos um guia que falava alemão e inglês. Conversa para boi dormir. Além do "guia" não falar inglês direito, ele fazia parte de uma agência de viagens e só estava lá para nos vender os pacotes. E sem dar descontos!!
Mesmo assim, tudo bem. Escolhemos um passeio de camelo e uma viagem de dois dias para o Cairo. Queríamos muito fazer outros passeios, mas o dinheiro e o tempo não permitiam.
Depois fomos à rua procurar um banco, já que o Nil não tinha conseguido tirar dinheiro em Viena. E fomos atacados pelos muitos donos das lojas ao redor do hotel. A cada passo que dávamos, vários lojistas nos paravam, perguntavam de onde éramos e nos faziam entrar nas lojas deles. Não tinha escapatória. Eles mentiam, dizendo que só queriam que assinássemos o livro deles, porque nenhum brasileiro tinha assinado antes, mas era tudo lorota para nos fazer entrar na loja e comprarmos (uma vez que você entrava na loja, era quase impossível sair sem levar nada. Eles não deixavam!). Foi assim que, depois da terceira loja, praticamente saímos correndo para procurar o banco e ignorávamos qualquer "oi" que eles davam. Aprendemos que eles não são simpáticos atoa. Tem sempre uma má intenção por trás, que é arrancar dinheiro do turista! Neste dia, entendi, finalmente, porque os turcos (geralmente povos árabes) tem má fama quando se fala em dinheiro. E cheguei à conclusão de que a má fama que recebem é pequena diante da realidade!
No dia seguinte, resolvemos ir à praia e com muito esforço (porque estava frio, já que lá é inverno agora) e demos um mergulho no mar vermelho. Fizemos isso mais para falar que nadamos no mar vermelho do que por vontade de nadar, propriamente dita. Mas até que foi bom nadar nas águas calmas do mar vermelho e depois deitar ao sol. Já estava cansada de mendigar os poucos raios do sol que aparecem, de vez em quando, neste inverno europeu.

Terça-feira foi dia de andar de camelo. A van nos pegou em frente ao hotel e viajamos por 20 a 30 minutos, entrando cada vez mais no deserto. Encontramos com o cara que nos levaria no camelo e fizemos um agradavel passeio sob o vento forte do deserto.
Quando voltamos, conversamos bastante com os guias e descobri que um deles tem o mesmo sobrenome que eu: Nassur. Fiquei tão orgulhosa por encontrar  meus "parentes perdidos"! Parece que os guias simpatizaram muito conosco, principalmente pelo fato de sermos brasileiros. Não paravam de falar em futebol e insistiam em dizer que o futebol brasileiro era o melhor do mundo, mesmo quando explicávamos que já não existem jogadores como antigamente. Como eles disseram, "Brasil será sempre Brasil!".
Depois eles nos levaram a um lugar cheio de animais presos em aquários. Tinha várias cobras, crocodilo e muitas outras coisas. Os caras que tomam conta do local colocaram as cobras no nosso pescoço e nos deram os bichinhos para tirar foto. Foi muito legal este dia e voltamos muito sorridentes para o hotel.





Na quarta-feira partimos cedo para o Cairo. A viagem foi tranquila. Tínhamos um guia só para nós dois, pois o outro guia só falava alemão, e resolvemos pagar por isso. O guia foi ótimo durante toda a viagem, nos explicando muito sobre a cultura egípcia e tudo mais. À noite nós jantamos num lugar legal e depois fomos fazer um passeio de barco sobre as águas do rio Nilo. Por fim, nos levaram para o hotel. Neste ponto, inicialmente, ficamos decepcionados, pois quando pararam no hotel e todos desceram, nos disseram que aquele não era o nosso hotel. Não sei porque, mas parece que os falantes de alemão tinham alguma preferência. Mesmo assim, não tenho do que reclamar do hotel no Cairo. Parecia mais um flat do que um quarto de hotel, pois tinha cozinha, dois banheiros com banheira, sala e um quarto muito bom, tudo muito melhor do que o hotel em Hurghada.
Na manhã seguinte partimos para as pirâmides. E foi com um pouco de desapontamente que descobri que elas ficam na cidade do Cairo. Pensei que ficassem mais afastadas da cidade. E além de fila, também é necessário pagar paga entrar. E você tem que pagar ainda mais se quiser ver as pirâmides por dentro.
Entramos e vimos as pirâmides. Lindas e menores do que eu imaginava.


O guia nos deu um tempo livre para caminharmos e conhecermos o lugar. Neste momento dois caras em dois camelos se aproximaram e começaram a conversar conosco. Disseram que o Nil parecia 100% egípcio e insistiram para nos levarem num passeio de camelo. Dissemos que não várias vezes, pois não tínhamos dinheiro e tudo mais. O cara insistiu. Fez cara de indignado quando falamos em dinheiro e disse que era de graça, que era funcionário do governo. E lá foram os dois ingênuos brasileiros andar de camelo nas pirâmides. Eles nos deixaram em frente à pirâmide de Miquerinos, a menor delas, pois iríamos entrar e olhar como ela era por dentro. Quando saímos, eles estavam nos esperando e eu e o Nil resolvemos perguntar quanto era novamente, já que já havíamos percebido que o povo lá não fazia nada de graça. Então o cara jogou um preço super alto e dissemos que não tinhamos dinheiro. E dissemos que ele havia nos dito que não iria cobrar. Neste momento, o cara se transformou. Começou a gritar conosco e a partir para cima da gente, dizendo: "Eu disse isso? EU?" E começou a cobrar pelo dinheiro. Quase arrancou a carteira do Nil e achei que fosse nos bater ou fazer coisa pior quando mostramos a ele que só tínhamos Coroas, a moeda tcheca. Ele queria saber de todo jeito quanto valia em Euros e, quando percebeu que não tínhamos mesmo mais dinheiro, pegou as coroas tchecas muito nervoso e partiu. Eu quis chorar na hora, quis desabar. Foi horrível. Este momento estragou todos os outros. Embora eu tenha explorado um pouco mais as pirâmides e visitado outros lugares, a lembrança mais forte que tenho do Egito é do medo que senti naquela hora.
Depois nos encontramos com o guia novamente, fomos à Esfinge e depois ao Museu Egípcio. Tudo muito legal, mas confesso que partiu o coração ver que tiraram do lugar todas as riquezas da história.
Neste mesmo dia voltamos a Hurghada e decidimos não sair mais. Estávamos traumatizados demais com o povo explorador do local.
Quando estávamos no aeroporto, um dos caras que trabalhavam lá ainda ameaçou não passar as nossas malas caso o Nil não desse gorjeta. Tudo muito absurdo!
Ah, e isto tudo sem contar que eu e o Nil fomos acometidos de uma diarréia que durou quase todos os dias. E eu ainda tive muita dor de cabeça, de garganta e o meu nariz insistia em não me deixar respirar direito. Mas sobrevivemos no final das contas, graças a Deus!
Mas se eu puder fazer uma avaliação sincera do Egito, eu diria, com tristeza, que sinto que o país se prostituiu. Foi com tristeza que constatei que as propagandas e os outdoors pela estrada vinham sempre em inglês e/ou em alemão, quase nunca em árabe, a língua oficial do país. Foi com tristeza e admiração que notei a presença de dezenas de crianças menores de 8 anos na esfinge, falando todas as línguas que você possa imaginar (do português ao chinês e japonês), todas buscando um meio de arrancar do turista algum dinheiro. E foi com tristeza que vi no museu tantas peças expostas. Quero dizer, é importante que elas estejam no museu para preservação, mas eu senti que, ao retirarem do lugar onde estavam, fizeram do museu egípcio somente mais um lugar e mais uma forma de ganharem dinheiro. A história em si parece não ter nenhuma importância para a maioria dos egípcios, além de uma boa fonte de renda.
Mas também preciso reconhecer que, se me decepcionei, foi porque criei expectativa demais. A verdade é que, mesmo pesquisando na internet a respeito da cultura egípcia, pequei por não saber absolutamente nada a respeito e por esperar que tudo se adequasse ao modo como eu acreditaria ser perfeito.
E, no final das contas, deu tudo certo. Aprendi muito, amadureci muito e apaguei meu fogo no rabo de ir para lá! E agora só me resta lutar para que os próximos sonhos se realizem. Depois do Itamaraty, meu próximo sonho louco é ir para o espaço! Loucura, não? Mas não diga que é impossível, porque do jeito que as coisas andam, esse é só mais um dos objetivos que vou conquistar!
Um forte abraço a todos e perdão pelo texto grande. Juro que deixei de contar várias coisas para não deixar o texto ainda mais cansativo!

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

O fim de ano

É, pessoal...O ano está acabando e chega a hora de fazer uma reflexão e avaliação de tudo o que foi vivido. mas antes quero falar um pouquinho do final do ano aqui.
Não trabalhei muito estes dias, o que foi bom, já que o Nil veio aqui para casa. Dava uma tristeza danada ter que sair pro trabalho no começo da tarde e só voltar tarde da noite sabendo que o tinha deixado sozinho aqui em casa. Mas tudo bem. São ossos do ofício.
O Natal passamos juntos e foi regado a oração e muito carinho. Comida também, é claro. Até hoje a mesa está cheia! Mas a verdade sobre o Natal aqui é que eu o comemorei várias vezes e em vários dias. As comemorações nos flats começaram na segunda-feira passada, dia 20 de dezembro e foram até quarta-feira. Foram momentos muito bons para que eu pudesse me integrar ainda mais com o pessoal do trabalho. Na quarta-feira anterior já tinha comemorado o Natal no grupo de orações em que os moradores dos flats onde trabalho frequentam. E já ganhei presentes. Entre eles, um coco. Sim, um coco, desses que compramos em supermercado aí no Brasil. O presente mais inusitado de toda minha vida! Mas foi bom matar a saudade do gostinho do coco. E isso só aconteceu graças ao Nil, que com muita perseverança conseguiu abri-lo com instrumentos nada próprios para o serviço.





Na quinta-feira, dia 23, foi o dia de comemorar com as meninas que moram comigo, Teresa e Eva, já que elas iriam para casa na madrugada do dia 24. (O Nil também estava neste dia. Aliás, foi neste dia que ele partiu o coco e permitiu às alemãs provarem, pela primeira vez, a água de coco e comerem a fruta naturalmente).



E dia 24 à noite comemoramos só eu e o Nil. Foi muito bom!






                                                   Árvore de Natal proporcional ao tamanho




A única coisa ruim do Natal aqui é que, depois de a semana anterior ter sido de frio e muita neve, na semana do Natal, pelo contrário, as temperaturas subiram muito e toda a neve foi derretida. E justamente quando deveria cair, não cai!
E para completar as festanças de fim de ano, já estou esperando ansiosa pelo Ano Novo em Praga! Tomara que dê tudo certo e seja tudo muito lindo e que, ao contrário do que a palavra expressa, 2011 não seja literalmente uma praga!
Vamos à avaliação do ano...
Posso dizer, sem dúvida nenhuma, que este foi o ano mais emocionante de toda minha vida. Este ano minha vida deu um giro de 360o e tudo mudou de rumo.
No início do ano, presa em Ubatuba por causa do grande congestionamento causado pelos deslizamentos de terra que mataram tantas pessoas e destruíram a casa e a vida de tantas outras, nem imaginava terminar o ano na Europa, fazendo o que gosto e vivenciando tantas experiências engrandecedoras. Por outro lado, também não posso negar que foi com isto que sonhei e pedi para o novo ano: viajar para outros países, conhecer pessoas novas, aprender e me tornar alguém melhor. Valeu a pena ter pulado as sete ondinhas na praia! Realmente deram sorte!
2010. Eita ano que me surpreendeu, que mexeu com meu coração mais do que eu poderia esperar e me provou que ele é mais forte do que eu imaginava. Esse coração aguentou trancos e explosões de felicidade, surpresas e espantos. E o melhor de tudo é estar aqui agora, com aquele sentimento que nada nem ninguém pode tirar de mim: "você venceu, superou todos os desafios!!". E que venha 2011. Outro ano que promete! Já no início de janeiro realizarei o meu maior sonho, o mais ousado de todos que já ousei sonhar. Mas quero deixá-los curiosos e só conto quando estiver lá ou um pouco antes de ir. E, em 2011, se Deus quiser terminarei minha graduação e encontrarei um bom emprego. E depois a vida de gente grande começa: trabalhar e estudar muito para passar no Itamaraty. E se os anos seguintes forem tão bons quanto este, com certeza este será outro sonho que se realizará. Que a força de vontade para lutar pelos meus sonhos e objetivos nunca falte!
Um forte abraço a todos! E que 2011 seja um ano de muitas conquistas para todos vocês!

sábado, 11 de dezembro de 2010

As manotas que a gente dá

Pois é, estou com vergonha de contar, mas não serei egoísta e darei a vocês, queridos leitores e amigos, um motivo para rirem hoje (espero que não seja o único e que esqueçam rapidamente!).
Acontece que, no final de semana passado, atrasada para ir comer uma torta na casa de outros voluntários, tomei um banho e lavei o cabelo rapidamente, me arrumei e saí com o Nil, a passos largos, para a casa do pessoal. No meio do caminho me dei conta de que meu cabelo tinha, simples e puramente, congelado! Me esqueci de usar o precioso dom do raciocínio e, motivada pela pressa, esqueci a lógica: a água congela a 0 graus!! Não sei dizer ao certo o que pensei na hora, mas foi um misto de desespero (porque se eu dobrasse o meu cabelo ele quebrava e caía), de inconformação (por eu ter esquecido a coisa mais óbvia do mundo) e de graça (porque a situação era tão absurda que eu não podia fazer outra coisa a não ser rir de mim mesma!).
E preciso confessar que, apesar de confiar muito no Nil, fiquei rezando quando ele foi colocar o meu cabelo para dentro do meu casaco, para ver se descongelava e ainda ficava inteiro. E ficou, graças a Deus. Foi como renascer de novo! Até este momento, não sabia que era tão apegada ao meu cabelo!!
Mas o episódio não termina aí: cheguei à casa dos nossos amigos quase desmaiando, porque o frio nas contas me deixou até tonta!
Conclusão: Talita, pelo amor de Deus, não saia com o cabelo molhado quando a temperatura for 0 ou negativa! (desculpem, mas eu preciso repetir isto a mim mesma antes que cometa o mesmo erro novamente!)
E o fato de eu ser brasileira e não estar acostumada com este frio e com as temperaturas negativas não é justificativa, só ameniza um pouco os fatos! Mas eu juro que, para não desanimar os atuais e futuros professores de química, não ignorarei mais as propriedades físicas da matéria (assim espero!).


Mudando de assunto, também quero contar que, na quarta-feira passada fiz, pela primeira vez na vida, pão de queijo!


Tudo bem, isto não é motivo de tanto orgulho assim, mesmo porque, além de ser mineira e de não ter feito pão de queijo até então e de, até aquele momento, não ter noção de como fazer um pão de queijo, o "dito cujo" ainda era mistura em pó pronta, e eu só precisava adicionar alguns ingredientes e misturar tudo. E, mesmo assim, sem a ajuda de um paulista, até hoje eu estaria tentando fazer as maravilhosas bolinhas de queijo darem certo... :-( Vergonha Nacional!
Mas, graças à incrível habilidade de misturar a massa do Mathias (que ele aprendeu vendo o pai), tudo deu certo. E isto depois de eu ter queimado o liquidificador tentando misturar a massa e de ter quebrado uma vasilha de colocar chá das meninas que moram comigo, por causa da imensa bagunça que fizemos na cozinha.
Mas, porém, contudo, todavia, entretanto, não obstante, como dizia a minha querida professora de história Gilda Maria, eu tenho sim um motivo para me orgulhar. Se, durante meus 22 anos nunca tinha feito um pão de queijo sequer, nesta quarta-feira passada, dia 8 de dezembro (tenho que deixar tudo registrado, afinal, depois do que vou contar mamãe vai se orgulhar de novo por me ter como filha), fiz, pelo menos, 300 deliciosos pães de queijo. E dificilmente vivi momentos na vida tão prazeirosos quanto nas horas em que eu tirava os pães de queijo do forno e tinha que experimentar para ver se ficaram bons (o que era dispensável, porque pão de queijo ficar ruim é coisa rara, mesmo quando era eu quem estava na cozinha!). E nem dá pra expressar o quão bom eram os pães de queijo, porque depois de quase três meses sem comer um, pão de queijo tinha se tornado quase uma lenda!
Bom, vou ficando por aqui. Ainda tenho outras manotas e histórias para contar, mas o post já está muito grande!
Até a próxima, pessoal! Abraços!